terça-feira, 10 de abril de 2018

Lista 5 | Filmes brasileiros essenciais para assistir de graça e em ótima qualidade

Na postagem de hoje, separamos cinco filmes essenciais do cinema brasileiro que podem ser assistidos em ótima qualidade no youtube. A hospedagem é uma cortesia do canal Filmoteca Zé do Caixão, que além desses clássicos, tem muitos outros filmes nacionais e alguns internacionais para serem apreciados. Boa sessão!


1 - Limite de Mário, Peixoto (1931)

Sinopse: Em um pequeno barco à deriva, duas mulheres e um homem relembram seu passado recente. Uma das mulheres escapou da prisão; a outra estava desesperada; e o homem tinha perdido sua amante. Cansados, eles param de remar e se conformam com a morte, relembrando as situações de seu passado. Eles não têm mais força ou desejo de viver e atingiram o limite de suas existências.




2 - Ganga Bruta, de Humberto Mauro (1933)

Sinopse: Na noite de núpcias, um homem descobre que sua mulher não era virgem e, enfurecido, a mata. Absolvido, vai para uma pequena cidade, contratado para prestar serviços de construção e acaba apaixonando-se por uma jovem inocente. O filme traça um retrato da vida brasileira nos anos de 1930, com sua violência urbana e repressão sexual.




3 - O caso dos irmãos Naves, de Luiz Sérgio Person (1967)

Sinopse: Na ditadura Vargas, dois irmãos mineiros são julgados, severamente torturados e condenados por um crime que não cometeram.




4 - Conversas no Maranhão, de Andrea Tonacci (1983)

Sinopse: Realizado entre os anos de 1977 e 1983, Conversas no Maranhão nasceu do contato do diretor e fotógrafo Andrea Tonacci com os índios Canela Apãniekra nos anos 1970. Mais do que um documentário, o filme se tornou um manifesto da tribo ao governo brasileiro, no momento em que suas terras eram demarcadas pela Funai.




5 - O signo do caos, de Rogério Sganzerla (2003)

Sinopse: O longa experimental aborda a vinda do cineasta Orson Welles ao Brasil nos anos de 1940 para as filmagens do inacabado "It's All True". No filme, o material produzido pelo diretor é apreendido pelo Dr. Amnésio, que fica obcecado em censurar e banir a obra de qualquer possibilidade de exibição.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Práticas Artísticas | Arte digital: Recorrente de Mariana Aguiar Battistelli

Costumo dizer que boa parte de minha formação, ou mesmo interesse em arte se deu por meio da internet, um facilitador inegável quando falamos em acesso à informação, passando a considerar modos de veicular e adequar trabalhos para rede. Concebo que as manifestações culturais estão presentes em diversos meios, e desta forma comecei a utilizar a plataforma de blog para exibir um recorte de trabalhos específico.
Passei em média cinco anos pesquisando muitas coisas e produzindo pouco, quando retomei meus trabalhos, acabei revisitando todos os arquivos de imagem digital que tinha. Em mais de dez anos de captura, com temas diversos, de origem e equipamentos diversos, passei a identificar relações entre as imagens e suas circunstâncias.
A potencialidade das imagens, seus aspectos constitutivos e as variantes possíveis dos formatos digitais conduzem esse projeto, motivado também  pelo fluxo constante, a instantaneidade e a produção crescente das mídias, presenciada nos últimos anos, problematizando alguns de seus princípios, como abstração, cenografia e ficção.
Apesar do conteúdo com caráter pessoal, tento evidenciar aspectos que extrapolam suas particularidades. As imagens poderiam ser de arquivos públicos, por exemplo, utilizo as autorais por questões éticas e por acreditar que facilitam o trabalho com a matéria, ganhando autonomia de manipulação ao saber exatamente a origem do arquivo.
Por se tratar de arquivo digital,  infinitamente reprodutível, alterável e corruptível, passei a utilizar outras mídias e plataformas consolidadas, no intuito de ampliar o acesso à página e verificar seu potencial de recepção. No entanto, a plataforma de blog induz uma catalogação sistemica, com o decorrer das postagens passei a fazer analogias simbólicas por meio de definições desconstruídas, que agregam à publicação enquanto meio.
É complicado argumentar a respeito da consolidação da rede (web) como meio artístico, mesmo com a incidência dos trabalhos que repercutiram na transição do século, é difícil estabelecer um fluxo único para arte digital, mas venho tendo uma resposta bastante positiva ao utilizar uma mídia convencionalizada, para expor determinadas características do virtual enquanto matéria. De um modo geral, em um contexto onde as coisas mudam muito rápido, procuro enfatizar o que é recorrente.

Por Mariana Aguiar Battistelli

Acesse: https://marianaaguiarbattistelli.com/recorrente/

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Artigo: Questões sobre o real na história da arte: o visível, o ideal e o intangível

Por: Mariana Aguiar Battistelli

Ao questionar a definição de real, uma grande variedade de argumentos pode ser considerada. Quando sugerida pelo dicionário, pouco esclarece sobre sua possível relação com as teorias da arte, e as variações que ocasionam sua interpretação, pois esta relação também é variável e se confunde com termos como realidade e realismo.
Previamente dizemos que o real esteve dividido naquilo que aparece e aquilo que é fundamental, entre aparência e essência. Deste modo estabelece uma relação com a arte por meio da representação, onde tendências realistas aparecem desde a pré-história.
Características da realidade foram aproveitadas para representar um conjunto idealizado durante a toda a Antiguidade Clássica (século VIII a.C – século V d.C), porém possuíam distanciamento do real, como o que reside visível nas coisas. Neste período, toda a forma invisível, responsável pela visibilidade foi chamada pelos gregos de ideia, e como tal, era distinta do real, que é também oposto ao simbólico. 
Portanto ao pensarmos em representação, passamos também a considerar termos como realismo, que identifica qualquer tentativa de reprodução fiel da realidade visível na pintura, escultura e artes gráficas e percebemos que as imagens construídas com base no padrão estético da Antiguidade Clássica, não são produções realistas, mas sim produções com excesso de captação do real que almejam uma forma ideal, e a construção da imagem sem idealizações, era desvalorizada como mera cópia da realidade.
Gradativamente no século IV a.C, o enfoque da arte sofreu uma mudança, acarretando em uma aproximação maior com o real visível. Os artistas passam a ter maior interesse pelos problemas do seu ofício em termos de aprimoramentos técnicos, afastando antigas vinculações com a magia e a religião. A dificuldade de como representar minuciosamente cenas congeladas passa a ser considerada uma tarefa que testa a habilidade de um artista, a academia passa a valorizar as técnicas de representação em termos de execução, com trabalhos minuciosos. 
Apesar da grande habilidade, os artistas helenísticos ignoravam as leis matemáticas pelas quais os objetos parecem diminuir de tamanho à medida que se afastam de nós. Não havia a preocupação em estabelecer a relação direta entre objeto e representação, de maneira que houvesse uma proporção exata a ser seguida para qualquer forma representativa.
Esta preocupação surge apenas com o Renascimento, onde é retomada também a preocupação com a ilusão causada pelos objetos da arte. O mundo da aparência, passa a apresenta certa similitude com o mundo das ideias e o real passa a ser entendido como o mundo das formas, acarretando mudanças significativas nos processos de representação. Neste sentido, a pintura converte-se em um espelho do mundo sensível.
A arte passa a ser usada não somente para contar histórias sagradas, mas também para refletir fragmentos do mundo real. O artista, pela primeira vez na história, passa a ser a testemunha ocular perfeita, por reproduzir o mundo em que está vendo, de forma a descobrir a presença da ideia assim como ela se apresenta visível nas coisas, revelando um sistema de projeções para além da representação e acaba por ressaltar sua diferença com o que poderia definir o real, aparência e essência estão presentes mutuamente na forma retratada.
Esta nova maneira de representação influencia diversos movimentos da História da Arte em relação ao real, mesmo as correntes contrárias ao Renascimento trabalhavam com a união entre aparência e essência para configurar um episódio ou ação. O processo de representação e interpretação do real é retomado de maneira diversa apenas no século XIX. 
Com o início da Modernidade os artistas passam a considerar a representação da realidade, tanto a partir quanto contra a ideia de naturalismo que precedeu desde o Renascimento, onde o aspecto exterior da figura coincide com sua natureza interior. A pintura moderna tende a evidenciar um anteparo, algo que resguarda o motivo representado, atribuindo-lhe um caráter único.
O primeiro movimento artístico denominado realista teve origem no século XIX e defendeu o naturalismo ao contrariar as representações de assuntos dos movimentos artísticos de cunho romântico que o antecederam. O termo Naturalismo foi muitas vezes usado como sinônimo de Realismo, no entanto o termo naturalismo é aplicado a qualquer coisa que seja representada tal como é na natureza. Enquanto o Realismo configura um movimento de engajamento social e repercute em inovações formais no meio artístico.
O artista passa não apenas a representar a realidade, mas também identificar-se com ela, ausente de qualquer idealização ou dramatização. As imagens desse período evidenciam uma parte da realidade, não apenas na condição de qualidade do que é real, mas também como o conjunto de coisas reais, incluindo na representação a abrangência da sociedade deste período, formam registros perfeitos da modernidade. 
Embasadas em cenas cotidianas, dispensam a simetria perfeita e o estudo detalhado da forma em ateliê. Possuem, quanto à aparência, semelhança aguçada com as formas reais, porém com técnica desprovida de idealizações. A realidade é compreendida como o que está também no conteúdo da obra, na escolha do motivo a ser pintado, não somente na visualidade, na forma aparente. 
Podemos perceber nesse sentido, que a força da pintura passa a residir nela mesma e não no objeto representativo. O quadro não é a projeção do real, mas é tido como parte da realidade. No ano de 1826, em meio ao movimento Realista, a invenção da fotografia gera uma mudança significativa em relação às técnicas de produção artísticas, pois cria uma divergência entre as práticas, originando duas vertentes modernistas. 
A primeira, partindo de ideais Simbolistas, que defende a arte como uma atividade espiritual que não pode ser substituída por um meio mecânico. A segunda, seguida pelos Realistas e Impressionistas, onde é claramente distinguida a imagem fotográfica da imagem pictórica, a pintura é liberada de representar o verdadeiro, passa a ser vista como pintura pura, com procedimentos pictóricos rigorosos que não podem ser executados de outra maneira.
É neste período que desaparece a representação como imagem que está no lugar de alguma coisa. A representação tal como tinha sido elaborada pelo Renascimento é substituída por uma que se preocupa mais em ser pintura, considerando em primeiro lugar o próprio quadro como objeto real. O que fundamenta a pintura num sentido essencialmente visual e propõe a libertação da percepção de qualquer preconceito ou costume, faz da imagem sensação visual, que não diz respeito à captação do real, mas sim a estrutura da apresentação pictórica.
Com o processo pictórico a frente da representação, do objeto em sua visibilidade, é estabelecida uma relação de disparidade entre forma e conteúdo na arte. Ficando evidente através dos movimentos artísticos do século XX, nos quais vemos retomar alguns dos preceitos de representação do real e da realidade semelhante ao que havia sido explorado.
Contudo, as relações de forma e conteúdo, que oscilam e traçam os percursos da arte de vanguarda, também denunciam que a relação possível entre as formas artísticas e o real se mantém, e adequam-se conforme a prática e interpretação da sociedade vigente, ao mesmo que seus produtos repercutem na leitura histórico social desses períodos e formulam novas interpretações.
Longe de estipular uma definição fixa ao real, podemos assegurar que sua relação com a arte, enquanto prática essencial da humanidade, permanece intrínseca, induzida justamente por essa falta e impossibilidade de delimitação de ambas. 

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas – SP: Papirus, 1995.

FOSTER, Hall. O retorno do real. São Paulo - SP: Cosac Naify, 2014.

GIANNOTTI, José Arthur. A nova teoria da representação. Rio de janeiro: Escola de Belas Artes – UFRJ, Palestra realizada no Espaço ABC, em junho de 1980.

GOMBRICH, Ernst H. A história da arte. 16º ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009.

STREMMEL, Kerstin. Realismo. Köln: Taschen, 2005.

TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Lista 5 | Sites de Artistas

Separamos cinco sites de artistas que utilizam a plataforma de maneira criativa e ampla, tanto para registro e apresentação de trabalhos específicos no formato digital como para catalogação de suas produções.


1. Andrei Thomaz http://www.andreithomaz.com

Artista Visual e programador brasileiro, ao acessar os projetos de seu site encontramos trabalhos em diversas mídias, digitais e analógicas. How many lines are needed to erase a black rectangle e Somewhere In Time são alguns dos exemplos que podem ser contemplados diretamente na plataforma virtual, são trabalhos que a utilizam para tratar de temas comuns as práticas artísticas e possibilitam o uso criativo da rede.



É um artista português, formado em artes plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e mestre em Tecnologias Educativas pela Universidade do Minho. Integrou a geração da poesia visual portuguesa da década de 1980 e a partir de 2005 desenvolveu um conjunto significativo de poesia cibernética e electrónica, em linguagem script, que designou por «Scriptpoemas» Situado entre o experimentalismo semiótico e alguma iconografia lírica documental seus trabalhos podem ser vistos diretamente em seu site.



Pintor alemão que possui uma vasto trabalho em relação a materialidade da imagem, sua produção circunda aspectos figurativos, pois a maioria é baseada em fotografias ou paisagens, construtivistas, fundamentada em tabelas de cor e abstrata. A variedade no seu trabalho não indica uma falta de interesse pela realidade mas uma grande confiança ao apresentar modelos diferentes de forma a transmitir isso mesmo, combinando tanto a figuração como a abstracção. Apesar de seu trabalho importante no campo da pintura, fez também peças com vidros e espelhos, além do seu Atlas, uma colecção de imagens fotográficas por ele recolhidas, todas catalogadas e disponibilizadas em seu site. 


4. Giselle Beiguelman http://www.desvirtual.com

Brasileira, pesquisa preservação de arte digital, arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. Desenvolve projetos de intervenções artísticas no espaço público e com mídias digitais. Em seu site podemos visualizar seus trabalhos, sendo que alguns possuem interação virtual, recomendamos a visita em todo o segmento WEB ART + MOBILE.


5. Olafur Eliasson http://www.olafureliasson.net

Natural da Dinamarca, sua arte é direcionada por seus interesses em percepção, movimento, experiência corporificada e sentimentos de si, se esforçando para tornar as preocupações da arte relevantes para a sociedade em geral. A arte, para ele, é um meio crucial para transformar o pensamento em fazer no mundo. Em seu site temos acesso a diversos de seus trabalhos, exibidos amplamente em diversos países, de uma maneira bastante criativa e imersiva.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Lida: Chamada aberta para artistas multimídia



A Lida, revista sazonal de arte multimídia promovida pelo Estúdio Mandrana, disponibiliza um espaço virtual em formato de publicação, para ser explorado dentro de suas potencialidades por artistas que trabalhem nas áreas de artes visuais, cinema e música.

Se você possui algum projeto que envolve imagem, palavra  ou som em formatos digitais nos envie sua proposta. Qualquer linguagem ou relação formal cabível ao espaço gráfico da página é permitido: desenho, ilustração, fotografia, texto, links externos para vídeos ou sons, registros de performances e intervenções ou qualquer proposta que extrapole tais delimitações.

O objetivo do Estúdio é promover, incentivar e disseminar a produção de arte digital, portanto não há uma seleção, porém as edições possuem recortes curatoriais e seu trabalho pode ser reservado, não sendo necessariamente publicado na edição vigente.

Sua proposta será sempre bem recebida e entraremos em contato para colocá-la em nossa plataforma da melhor maneira possível, caso o trabalho necessite de procedimentos editoriais específicos, os artistas devem comunicar tais especificidades junto com o envio da proposta, indicamos que os arquivos em imagem sejam enviados em PNG e os arquivos de texto em DOC.

Qualquer dúvida não hesite em nos contactar: mandrana@mail.com

Clique aqui para ver as revistas já publicadas. Cadastrando-se você ganha a assinatura e a cada estação recebe uma nova edição.

sábado, 31 de março de 2018

Lista 5 | Artistas Essenciais n°3: Cinema

Para a terceira lista de artistas essenciais, destacamos algumas cineastas que através de suas práticas contribuíram ou ainda contribuem para o desenvolvimento e a mesmo tempo a crítica da linguagem cinematográfica. Alguns filmes recomendados podem ser acessados através de cópias disponíveis no youtube. Para isso, basta clicar nos links quando indicado.



1. Ida Lupino (1918-1995) foi uma diretora, produtora, atriz e roteirista de cinema que nasceu na Inglaterra e trabalhou boa parte da vida nos Estados Unidos. Filha de artistas dramáticos, começou no cinema nos anos 30 como atriz em filmes ingleses e posteriormente passou a atuar em filmes norte americano. No fim da década de 40, fundou a produtora independente, onde começou seus trabalhos na roteirização e direção: Never Fear (1948), foi seu primeiro filme. A partir da década de 50 fez seus trabalhos mais consagrados como Outrage (1950), On Dangerous Ground (1951) - dirigido junto a Nicholas Ray -, The Bigamist (1953) e The Hitch-Hiker (1953), este último considerado o primeiro filme noir dirigido por uma mulher. Ida dirigiu outros filmes até meados dos anos 60 e atuou durante os anos 70 como diretora e atriz de televisão, até se aposentar em 1978, após 48 anos de carreira. É até hoje uma das diretoras mais influentes do cinema mundial.



2. Danièle Huillet (1936-2006) foi uma importante cineasta francesa que realizou filmes junto a Jean-Marie Straub, com quem foi casada desde 1959 até o final de sua vida. Huillet destaca-se por seu trabalho vanguardista, levando a linguagem cinematográfica aos limites da representação e por participar de todo o processo produtivo da criação, rodagem e montagem. Entre as dezenas de filmes realizados, destacamos Chronik der Anna Magdalena Bach (1968), Klassenverhältnisse (1984), Cézanne (1990), Sicilia! (1999), Operai, Contadini (2002) e Une Visite au Louvre (2004). 



3. Chantal Akerman (1950-2015), foi uma diretora, produtora, roteirista e professora de cinema belga descendente de família judaica. É conhecida pela linguagem peculiar de seus filmes e pela influência que seu trabalho teve sobre o cinema feminista e experimental - sobretudo nos anos 90. Entre seus mais de 40 filmes, explorou a extensão do plano cinematográfico e a alienação do cotidiano - sobretudo o cotidiano feminino. Destacamos o filme Les rendez-vous d'Anna (1978)  que pode ser assistido gratuitamente clicando no título do filme (é necessário fazer login no youtube).



4. Rita Azevedo Gomes (1952) é uma importante realizadora portuguesa que desenvolve seu trabalho desde os anos 90. Trabalha em diversas áreas como teatro, ópera e artes gráficas desde os anos 70. Através de planos milimetricamente construídos, uso da cor, do som e da palavra marcam de maneira significativa a sua obra. Entre seus nove filmes, destacamos O Som da Terra a Tremer (1990), Frágil como o Mundo (2002), A vingança de uma Mulher (2012) e Correspondências (2016). Atualmente, além de se dedicar à realização cinematográfica, também compõe a equipe de programação da cinemateca portuguesa.



5. Teresa Villaverde (1966) é uma realizadora portuguesa que passou a fazer filmes no anos 90. Seus trabalhos tratam de temas como juventude e família. Entre seus oito longas realizados, destacamos A idade Maior (1991), Três Irmãos (1994) e Os Mutantes (1998). Os três filmes podem ser assistidos gratuitamente através de cópias disponíveis no Youtube, basta clicar nos títulos e acessar.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Lista 5 | Artistas Essenciais n°2: Música Eletrônica

Nesta lista, separamos cinco artistas que consideramos essenciais para entender a criação e desenvolvimento da música eletrônica:



1. Clara Rockmore (1911 - 1998) é geralmente considerada a artista mais talentosa do instrumento musical eletrônico theremin. Foi uma criança prodígio do violino e entrou no conservatório imperial de São Petersburgo aos cinco anos de idade. Tinha um theremin especial adaptado pelo próprio Leon Theremin para atender às suas necessidades específicas, que usava para realizar obras clássicas. Sob seu controle, o theremin soava como uma mistura do violoncelo, violino e voz humana.




2. Delia Derbyshire (1937 - 2001) pioneira da música eletrônica é provavelmente mais conhecida por suas composições para trilhas de rádio e televisão no início dos anos 60, entre elas a música tema de Ron Grainer para a série televisiva de ficção científica britânica Doctor Who e por seu trabalho pioneiro com a BBC Radiophonic Workshop. Suas criações foram fundamentais para o desenvolvimento da música eletrônica nas décadas seguintes e seus álbuns contém importantes registros para a música eletrônica como um todo.




3. Laurie Spiegel (1945) nasceu em Chicago, onde na adolescência tocava violão, banjo e bandolim, e através deles cultivava uma filosofia devota de fazer músicas de forma amadora. Depois de receber um diploma nas ciências sociais, ela voltou-se totalmente à música. Tendo trabalhado com sintetizadores analógicos desde 1969, ela procurou o maior controle de composição que os computadores digitais poderiam fornecer e desenvolveu um software de composição interativa em 1973. Mais tarde, ela fundou o Computer Music Studio da Universidade de Nova York, e tornou-se famosa nos círculos de música por seu software de música para computadores pessoais, especialmente o MusicMouse.




4. Kemistry & Storm duo composto por (Valerie Olukemi A. "Kemi" Olusanya) e (Jane Conneely). Conheceram-se na faculdade de Kettering e passaram a morar em Londres no início dos anos 90. Começaram a tocar em 1991 com amigos DJs em algumas rádios piratas locais. Envolvidas com a grande cena drum & bass no reino unidos dos anos 90, ajudaram a montar o selo de música eletrônica Metalheadz. O sucesso do álbum DJ-Kicks trouxe-lhes oportunidades para expor seu trabalho internacionalmente e foi descrito como "um trabalho que pavimenta o caminho para outras jovens DJs". Foram residentes no Speed ​​In London e realizaram programas de rádio nas estações piratas Touchdown FM, Defection FM e Underground FM. A colaboração da dupla chegou ao fim com a morte de Kemistry em um acidente de carro incomum no início da manhã de 25 de abril de 1999, quando retornava de um show: foi atingida por um olho de gato solto na estrada, que rompeu o pára-brisa e a matou instantaneamente.




5. Mira Calix (1970) Produtora Sul-africana que se mudou para Londres no início dos anos 90 antes de assumir um cargo como assessora de imprensa na Warp Records (então baseada em Sheffield). Promoveu grandes eventos de música eletrônica, como a Telepathic Fish. Desde então, teve vários lançamentos na Warp e associou seu trabalho musical à exposições e projeções visuais. Foi uma das pioneiras no uso do software MAX/MSP e em novembro de 2006 viu o lançamento de seu primeiro álbum como parte do projeto colaborativo Alexander's Annexe.